sexta-feira, 26 de março de 2010

Medo, aliado ou inimigo?


A PERGUNTA

O medo é um sentimento, uma sensação tão estranha e temida por muitos, mas nem sempre ele é um vilão. Existe uma frase que diz que a melhor maneira de combater os seus medos é enfrentando-os, mas será mesmo que precisamos enfrentar todos os nossos medos? Será que não existe algum "medinho" que mereça ficar ali parado e escondido?

O medo é uma sensação estranha porque ao mesmo tempo que ele prejudica, é inegável que ele pode educar também. Ter medo de falar em público pode ser ruim, mas medo de pegar AIDS pode ser bom. Que complicado não? Como sabemos quando o medo é bom ou é ruim? Será que o medroso é na verdade uma pessoa forte ou fraca?



Por alguma razão nós gostamos de provocar o medo. Este gosto, talvez "masoquista", aparece quando entrávamos nos antigos trens fantasmas dos parques de diversão ou nas montanhas russas. A ideia de ir nestes "brinquedos" é sentir medo, é despertar este mesmo sentimento que é tão ruim em outros casos. Será que nestes brinquedos é um medo de mentira? Pela reação das pessoas não parece.

Assistir filmes de terror é outro exemplo prático de como provocamos o medo por diversão. Quem nunca ficou apavorado com a virada de cabeça da pensagem do Exorcista? Quem não ficou assustado com o que houve com os atores ou com as histórias estranhas durante as filmagens? Se olharmos sob uma ótica racional, como algo feito para despertar medo pode fazer tanto sucesso? Se medo for sofrimento, porque será que tantas pessoas buscam sofrer?
Como sabemos, os filmes de terror ainda são fortes, mesmo nos dias atuais lotando salas de cinema com "masoquistas" querendo sentir medo.

O medo é um ingrediente chave em muitas histórias. Na fantasia, por exemplo, ele é quase essencial, pois sem ele não tem vilão. Todo autor de fantasia quer que o leitor tema o seu vilão e quer também que o mocinho o tema, mas é neste medo que muitas vezes ele encontra a força que precisa para combater o mal.

Então quer dizer que o medo fortalece? O medo muitas vezes nos faz buscar nossas mais secretas forças para enfrentá-lo. Ter medo é conseguir força para combater estes "fantasmas" que nos assombram?



A RESPOSTA


O medo é ambíguo, ele é mutável. É algo temido e idolatrado, é força e é fraqueza. Ter medo é bom, nos faz ter cautela, cuidado e sempre impõe limites a nossa mente. Creio que precisamos saber que não podemos fazer TUDO e o nosso freio natural nada mais é do que o medo. Sem o medo possivelmente nos detruiríamos, pode parecer até exagerado, mas sabemos que no fundo seria assim mesmo. Imagine um mundo sem o medo de ir para a cadeia, sem medo de pegar AIDS, sem o medo de trânsito ou mesmo sem o famoso "medo de ir para o inferno". O medo nos limita, nos controla e nos fortaleza.

Porém, é claro que não podemos ficar reféns dele, se tivermos medo de acidente não sairemos de casa, nunca viajaremos. Se tivermos medo de altura, nunca iremos a um andar que não seja o primeiro do prédio.

Medo é um sentimento profundo e complexo, talvez como a própria vida é. Mas ele é um grande companheiro nosso que pode ser considerado inseparável, jamais podemos viver sem medo. O medo é o balanço da equação, é a prova de que não precisamos apenas de coisas boas para viver. A vida é feita de bem e mal e não há vilões ou mocinhos. Somos apenas humanos...

Temos medo de altura
Temos medo de lugares fechado
Temos medo de aranha
Temos medo do escuro
Temos medo sofrer
Temos medo da dor
Temos medo da solidão
Temos medo de sermos esquecidos
Temos medo e não sermos aceitos
Temos medo de depender
Temos medo de amar
Temos medo da morte, assim como temos medo da vida...

Então o medo é bom ou mau? (risos)....

ENTREVISTANDO... Os autores que li - Dhyan Shanasa


Seguindo minha nova sessão no blog ENTREVISTANDO OS AUTORES QUE LI, passo para a minha segunda experiência de entrevistador (risos).

Esta segunda entrevista foi feita com mais um nome dos jovens escritores de literatura fantástica do Brasil: Dhyan Shanasa, autor de O LIVRO DE TUNES - Volume I Destino (Editora Livro Novo) uma história bela e bem escrita aos moldes clássicos, como ele próprio gosta de definir. Eu li velozmente as 200 páginas do livro e fiquei impressionado principalmente com o equilíbrio que ele conseguiu entre lirismos e clareza de escrita. Normalmente o uso de palavras pomposas carrega demais a escrita tornando-a densa, porém Dhyan Shanasa conseguiu a difícil tarefa de criar uma obra de beleza lírica e linguagem simples.

Dhyan Shanasa é artista plástico, tem 25 anos e nasceu em Goiânia - GO e passou grande parte de sua infância mudando de cidade em cidade passando por estados como RS e RJ. Desde de cedo começou a escrever e tem paixão declarada pelos grandes mestes da literatura como Victor Hugo e Balzac. Um dos livros que o mais tocou e motivou para a escrita fantástica foi a obra de Tolkien O Senhor dos Anéis, que ele releu várias vezes. Atualmente mora em Pirenólpolis - GO onde possui um ateliê, fruto de seu aprendizado de tecelagem indígena.
Dedicado e exigente, Dhyan Shanasa tem disciplina e leva a sério a profissão de escritor e trabalha intensamente na sua sua trilogia de Tunes que brevemente será publicada. Além da escrita ele também possui inúmeras ilustrações referentes a sua obra.



O Livro de Tunes conta basicamente a história de um menino chamado Tunes Arboror de doze anos, que é levado e abandonado em um imenso castelo, o Galboriä das Mil Torres, que na verdade é mais do que uma simples construção, trata-se de um reino inteiro que atualmente está em ruinas. O enredo trata basicamente dos encontros e "aventuras" de Tunes dentro do Galboriä, onde ele conhece a bela Lalín Feä e enfrenta os Sólruz, uma espécie de espectros escuros servos da temida bruxa Patelle Arondarôn. Os eventos culminam em uma grande batalha épica envolvendo elfos, duendes, orcs, dragões, bruxas e os Senhores dos Ventos: os Val-atär.

Bom vamos ao resultado da entrevista, agradecendo desde de já a disponibilidade do autor...

Luiz Ehlers – Em algumas declarações, você afirmou que o Livro de Tunes é o livro que gostaria de ter lido. O que, em sua opinião, o Livro de Tunes trás de novo e especial, que outros livros semelhantes possam ter falta?

Dhyan Shanasa (DS): Quando li pela primeira vez O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien caí para trás. Fiquei impressionado com a complexidade da obra e a capacidade de manter a historia coesa que o autor teve. Eu tinha 12 anos... Anos mais tarde, já vacinado em literatura e tendo lido muitos gêneros, tornei a ler este livro, aí notei uma grande falta: ele não tinha profundidade, sua narrativas excediam o limite das páginas e Tolkien flutuava num limbo imaginativo, esquecendo que o próprio mundo que criou precisa do nosso para existir. Se colocarmos atenção nos livros de Fantasia contemporâneos, veremos que em geral eles são rasos e pueris. Os adoradores que me perdoem, mas isto quer dizer que apesar das histórias serem longas e detalhadas há uma falta tremenda de reflexão no sentido mais profundo que esta palavra possa ter. É de suma importância compreender o que quero dizer com isso, pois podem levar para o lado errado. Eu, como leitor, jamais li um livro de Fantasia que fosse profundo como os maiores romances da literatura clássica. Parece-me que os autores que seguem o gênero fantástico têm uma carência de atenção para consigo mesmo e para com o que os cerca, tornando suas invenções detalhadas na anatomia, ou seja, bem construídas, mas pobres de alma. Esse é um comentário pessoal, que constatei somente depois de ter terminado de escrever o volume I de Tunes, é meu lado leitor falando e não tem nada com o que escreve. O grande diferencial da Obra de Tunes é que ele é profundo, muito profundo. Leitores atentos constatarão o que digo. Além disso, apesar da história ser complexa, foi escrito de uma forma mais honesta, onde procurei ao máximo limitar as descrições vãs para que a historia fluísse de forma agradável. Outro ponto que sinto falta nos livros de Fantasia é a ligação entre o mundo do livro e o nosso mundo, e isso pode ser sentido claramente no Livro de Tunes que dá uma mãozinha a imaginação para que ela tenha um ponto concreto de onde partir e fixar-se num âmbito menos surreal. A Fantasia, apesar de ser irreal, carece do real para existir.


Luiz Ehlers – O Livro de Tunes é uma obra que tenta resgatar uma linguagem clássica. Você é fã declarado de autores clássicos como Victor Hugo ou Balzac, como estas influências foram refletidas no Livro de Tunes e como, em sua opinião, elas contribuíram positivamente para a história?

(DS): Bom, primeiro no aspecto da observância. A capacidade que um autor do calibre de Balzac tem de observação é espantosa, e isso em todos âmbitos possíveis. Segundo, a crítica afiada. Todo autor precisa compreender urgentemente que sua arte é um meio de prestação de serviço, seja em qual nível for. Não estou dizendo que precisamos pregar religião, política, história e afins em nossos livros, mas constatar pontos suspeitos de nosso mundo e conectá-los aos livros, observar mais profundamente o valor das coisas simples também é um ponto interessante, sejam eles de qualquer assunto. O grande trunfo de escritores como Victor Hugo, Balzac, Gorki, Tolstoi, Cervantes e tantos outros, é terem chegado no nível de compreender isso! Para chegar neste ponto, contudo, é preciso muitos anos de labuta e disciplina. Não adianta escrever um conto de fadas sem uma “moral da história”. Terceiro ponto, expressão. A literatura clássica tem grandes mestres, e a capacidade que estes sujeitos tem de se expressar é tremenda. Quarto ponto, estudo. É imprescindível que um autor estude o que escreve, sobre o que escreve e em que nível aquilo pode ocorrer de fato. A maior contribuição que tive lendo os mestres da literatura, foi compreender que escrever não é simplesmente escrever, há algo mais, há de se ser sincero com esta arte, há necessidade de trabalhar muito, de tornar o que é escrito um texto limpo, enxuto, expressivo, profundo. Com toda a certeza, O Livro de Tunes tem fortes influências na literatura clássica, mas todas elas cultivadas por longos anos.



Luiz Ehlers – O Livro de Tunes é supostamente protagonizado pelo menino Tunes. Um dos pontos que me chamou a atenção foi o seu “protagonismo discreto”, se é que podemos chamar assim, pois mesmo estando em grande parte dos acontecimentos, Tunes é algumas vezes até secundário. Eu pergunto, era esta a sua intenção, um protagonista mais discreto ou foi talvez uma impressão equivocada? Como você justifica o título O Livro de Tunes?

(DS): O titulo de um livro não precisa conter necessariamente a linha inteira de raciocínio da obra ou o nome de um personagem central. Um exemplo: “O Senhor dos Anéis” é Sauron, pois foi ele quem forjou os anéis de poder, e no entanto jamais surge no livro de forma concreta, mas é o motivo de toda a história. Tunes é um garoto que é o motivo, digamos assim, para aqueles relatos, mas é apenas um garoto, não pode fazer muito mais do que faz – pelo menos no primeiro volume -, pois qualquer coisa acrescentada neste aspecto tiraria a veracidade da obra. Tunes é o gatilho. Ele é quem dispara um processo de acontecimentos no Mundo de Mürios, sem ele as coisas estariam na mesma. Não colocá-lo no titulo seria injustiça com isso, mas não havia intenção de torná-lo algo assim, não havia intenção alguma de nada; a história tornou-se o que é, sem minha interferência pessoal no assunto. Acho o Tunes um personagem forte em muitos aspectos, mas é humano e uma criança de doze anos no primeiro volume, e exigir algo sobre-humano para ele seria ter um Harry Potter brasileiro com uma espada em punho, e isso não seria coerente. Mesmo assim, Tunes já é bem maduro para a sua idade, e sua discrição no livro não é propositada, mas fundamental para a clareza e realidade da obra. Sua impressão está correta, o equivoco ocorre se chegar a pensar que ele não tem importância na trama principal. O titulo então justifica-se quando observa-se que Tunes é o “motivo” do livro, mesmo que morresse na página 1.


Luiz Ehlers – Um ponto interessante sobre os personagens é uma espécie de “adultização”, por exemplo, dois dos personagens principais, Tunes e Lalín, são crianças, mas com atos e jeitos de adultos. Seria esta uma forma de definir a história para um público mais adulto ou não e o Livro de Tunes é sim uma história infanto-juvenil?

(DS): Fantasia não tem idade. Quer um livro mais singelo do que O Pequeno Príncipe? Uma criança lê e se diverte, um adulto lê e se emociona, um bom observador lê e entende muitas mensagens. Tunes é um menino, mas criado de uma forma mais interessante do que a nossa maneira “encubada” já que vive num mundo mais coerente que o nosso. As crianças são geralmente tratadas como idiotas pelos pais, e não deveriam, pois já vi alguns com doze anos que conversam nitidamente e tinham uma profundidade maior do que de um adulto. Lalín é um ser eterno, não há como mostrá-la de outra forma, mas ainda assim por estar num corpo juvenil tem suas limitações, e no entanto percebe-se uma mente sóbria. O Livro de Tunes é para qualquer idade, mas cada fase compreenderá somente o que sua capacidade pode pegar; quem estiver pronto para olhar o lado existencial da obra o verá, quem não estiver se divertirá com as aventuras de um herói como Tunes.


Luiz Ehlers – A figura do narrador dentro da história é bastante marcante. Ele inclusive interage com o leitor, refletindo e analisando os atos de personagens, como no caso do gigante Collgân que é tão servil que se o bem lhe mandar faz o bem e se o mal lhe mandar faz o mal. O narrador também faz analogias na hora da descrição de cenários, como nas comparações do Galboriä das Mil Torres com a Catedral de Notre-Dame. O uso de um narrador desta forma é, de certa forma, um temor seu que o leitor possa perder algum elemento da história ou mesmo não entender alguma descrição?

(DS): De forma alguma. Este artifício serve para que o leitor reflita e seja trazido para dentro do livro, ou levado para fora dele. Torna a historia mais real, no meu ponto de vista, pois como eu disse a Fantasia carece de um fundo de realidade, e esses comentários, críticas e analogias são uma forma de conectar nossa realidade a realidade de Mürios. Por exemplo: quando falo do Galboriä das Mil Torres e faço uma comparação com mais de 100 Notre Dames, se o leitor for curioso pode ir no Google e pesquisar o tamanho da catedral, feito isso terá uma noção excelente de tamanho e espaço, deixando o Galboriä menos surreal.





Luiz Ehlers - Um dos pontos mais interessantes dentro do seu texto, em minha opinião, foi a junção do lirismo e descrições sem tornar a leitura cansativa. A descrição, especialmente em histórias de fantasia, assim como o lirismo, são fundamentais e é onde alguns autores acabam pecando. Existem duas correntes dos leitores, alguns que adoram a descrição, pois é um mundo novo e isso ajuda a entrar na história e outros que acham que descrição demasiada acaba pesando demais a leitura. Em sua opinião, qual é o limite ideal entre escrita bela e peso na leitura e como chegar nele?

(DS): O limite é o bom senso do autor. Gosto de livros detalhados, mas há de se convir que tudo tem limite. Creio que cada um tem a sua forma, mas que algumas coisas são fixas e finais. Há livros por aí que são verdadeiros tormentos para o leitor, mas há quem goste e isso não se discute. O artifício que reparou no Livro de Tunes – autor/leitor -, foi um mecanismo que desenvolvi para burlar as regras das grandes descrições. Todavia, é impossível que um autor consiga dosar estes pontos sem que se eduque primeiro, ou seja, sem que busque na fonte e leia bons livros de forma a observar as insondáveis maneiras de se escrever. Leio muita poesia, e nesta área a expressão é obscura e vaga, junte isto com uma descrição épica dosada, mais um toque pessoal e terá alguma coisa nova, tal como há no Tunes. Chegar no ponto onde a escrita flui rapidamente, mas tem conteúdo, rima, mas não tem métrica, é complexa, mas descomplicada, exige um bom senso terrível do autor e uma auto-critica para se repreender e dizer “Diabos! Descrevê-los caminhando por estas planície é desnecessário neste ponto do livro”. Livro bom não precisa ser grosso.



Luis Ehlers – A capa de um livro é algo essencial, especialmente em histórias de fantasia que têm um caráter bastante visual. A capa também é o primeiro impacto visual que o possível leitor tem da história, ela pode encantá-lo ou mesmo afastá-lo da história. Eu pergunto, sem entrar em mérito de que esta é ou não a capa ideal, mas como você justifica a escolha da capa do Livro de Tunes, qual era o objetivo na hora de ressaltar a imagem da sombra de um dragão?

(DS): O conceito de que capa chama o leitor foi criado em nossa época com fins comerciais. É compreensível que tenhamos belas capas em nossas prateleiras, mas isso não justifica nada. Uma pessoa que não lê determinada obra por não ter uma capa convincente é suspeita. A velha máxima “não julgue um livro pela capa” é tremendamente atual, e deveria ser colada por todas as livrarias sobre suas prateleiras. O dragão na capa de Tunes tem um significado mais interessante do que simplesmente mostrar que há dragões na obra. O dragão é o maior arquétipo da Fantasia, e colocá-lo na capa, para mim, foi uma decisão sábia que tem como fundo uma mecânica sutil. Alguns amigos criticaram a capa, dizendo que ela não passa a imagem do livro. Gosto não se discute, todavia, a capa passa a imagem da Fantasia, que é o que me importa. Mentes infantis carecem muito de imagens bonitas para se sustentarem, mas não observam que o símbolo máximo do universo que chamamos Fantasia está na capa do Livro de Tunes, e que isso atua profundamente nas pessoas, inclusive nas que mais criticam.


Luiz Ehlers – Você construiu um cenário de batalha riquíssimo, que tem um elemento inédito dentro das histórias de fantasia que é a pouca presença do homem. A sua batalha é travada por elfos, dragões, orcs e o público humano resume-se a Tunes. A batalha também é diferenciada por apresentar não só confrontos físicos, mas uma dose grande de poderes e magias. Como é para você escrever cenas tão complexas de batalhas e como é a batalha ideal para você?

(DS): É bem mais fácil descrever uma guerra do que descrever a beleza de uma flor. Pessoalmente, gostei muito da Batalha Tempestuosa do Volume I, pois ela ficou agradável de ser lida. Lembro-me de fazer barulhos com a boca a medida que escrevia este capitulo, de tão dentro que estava(risos). Acho que a batalha ideal é a que foge do estereotipo do herói que vem e acaba com tudo de repente. O grande problema da Fantasia é que pode-se tudo, e por isso os autores abusam das cenas de dramaticidade, sempre salvando os mocinhos no fim. Todavia, deve-se notar que é imprescindível que aqueles que escrevem este gênero e chegam a deparar-se com uma cena de batalha para ser escrita, parem e comecem a ler sobre as guerras de nosso próprio mundo; verão assim que os heróis morrem, e que nem sempre pode-se salvá-los. A veracidade da obra depende da experiência de cada um, e já que não podemos ir às guerras semelhantes, estudamos as nossas e as adaptamos nos livros. Faz bem feito quem entende o sistema bélico de forma mais coerente e põem algumas pitadas fantásticas. Além disso, paciência é a alma de uma obra, e para mim, a parte mais importante do livro foi essa, e levei muito tempo para terminá-la.


Luiz Ehlers – A literatura fantástica no Brasil tem crescido exponencialmente, porém há um temor particular meu de que grande parte dos autores sigam os mesmos temas, ou seja, cada um mostra a sua batalha épica favorita. Em sua opinião, o que é inovar dentro do universo de fantasia, há espaço para isso ou o gênero é realmente restrito?

(DS): Há espaço, mas exigir que sejamos 100% inovadores é o mesmo que exigir que o Sol não nasça amanhã. Nosso mundo tem limites, e nossa arte é manipular o que existe e torná-la diferente. Creio que todo o trabalho da humanidade e aperfeiçoar-se e isso significa às vezes um cara escrever quase uma copia de um determinado livro tornando-o melhor. Todos costumam falar que Tolkien é imbatível, mas esquecem-se que ele bebeu na Edda Germânica muitas coisas, e quem a lê sabe disso. É evidente que a Fantasia Moderna é filha de Tolkien, e esse mérito não foi revogado, mesmo assim, a grande tendência é que escrevamos algo próximo ao que adoramos, e isso é um tremendo equívoco. Por isso insisto tanto para que as pessoas leiam clássicos, pois assim perdem o estigma e começam a usar a Fantasia como plano de fundo para suas própria reflexões. Inovar dentro deste gênero é simplesmente colocar sua essência nele, e não simplesmente alterar a essência do que Tolkien criou, a seu bel-prazer.



Luiz Ehlers – Sessão jogo rápido

Um livro que adoraria ter escrito... Os Trabalhadores do Mar

Um livro de ficção não pode faltar na sua estante... O Silmarillion

O melhor filme de fantasia de todos os tempos... O Senhor dos Anéis

Uma cena de batalha cinematográfica marcante... A Guerra da Última Aliança, no inicio do Senhor dos Anéis.

Um personagem da ficção fantástica marcante... Siegfried de O anel dos Nibelungos

Um protagonista marcante... Guilliat de Os Trabalhadores do Mar

Um grande vilão... Javert de Os Miseráveis

Uma grande batalha final... A Batalha de Waterloo narrada por Victor Hugo

Uma grande luta... Lalín Feä x Patelle


O LIVRO DE TUNES em palavras:

Tunes em uma palavra... Corajoso

Galboriä em uma palavra... Majestoso

Lalín Feä em uma palavra.... Bela

Beceus em uma palavra... Intrigante

Os Sólruz em uma palavra... Medonhos

Patelle em uma palavra... Trapaceira

Dóruin em uma palavra... Atrevido

Collgân em uma palavra... Sincero

O Livro de Tunes Volume I - Destino em uma palavra... Surpreendente

O Livro de Tunes Volume II – A Tríplice Guerra em uma palavra... Grandioso

O Livro de Tunes Volume III – Redenção em uma palavra... Tremendo


Luiz Ehlers – O que podemos ou devemos esperar do Livro de Tunes – Volume II e da trilogia como um todo?

(DS): O volume I é mais restrito aos acontecimentos que envolvem Tunes, o Galboriä e aquela região. O Volume II expande-se para outros lugares, pois ele é o desdobramento dos feitos ocorridos no primeiro, e o livro torna-se mais amplo, mas sem perder a simplicidade, dando margem a uma nova casta de personagens muito interessantes para a história. O Volume III será uma tremenda surpresa, e dele não posso falar absolutamente NADA!



Não deixe de conferir o blog do autor:
http://www.olivrodetunes.blogspot.com/
Para aqueles que quiserem adquirir o Livro de Tunes diretamente com o autor, por um preço mais justo do que nas livrarias, mande email para dhyan.shanasa@gmail.com

Vejam também a resenha completa no SKOOB (www.skoob.com.br)

terça-feira, 16 de março de 2010

ENTREVISTANDO... Os Autores que li - Leandro Reis


É com orgulho que inauguro esta sessão com meu primeiro convidado: Leandro Reis, autor de Filhos de Galagah (Editora Idea), que foi lançado no final de 2008 e vem ganhando seu espaço dentro da literatura fantástica nacional.

Leandro Reis mora em São José dos Campos-SP, formado em Ciências da Computação é um fã declarado de histórias fantásticas. Leandro é um dos exemplos da nova geração de autores que aposta na literatura fantástica e na força da internet. Ele é de longe um dos nomes de autores mais dedicados deste gênero do Brasil. Ele está em todos os meios digitais possíveis, tem site, blog, orkut, skoob, twitter e sempre está atualizando seu site com contos do mundo de Grinmelken, que é tão vasto quanto a criatividade do autor.

Leandro também se destaca como um um dos precursores e profissionalizadores do book trailer. Tanto Os Filhos de Galagah, quanto a sequência ainda inédita, O Senhor das Sombras, possuem book trailers com qualidades de imagem, som e vídeo impressionantes, sublinhando ainda mais a seriedade de histórias como esta, que vem ganhando cada vez mais credibilidade e espaço no Brasil.

Book Trailer - OS FILHOS DE GALAGAH
http://www.youtube.com/watch?v=iy62QoBP-jI

Book Trailer - O SENHOR DAS SOMBRAS
http://www.youtube.com/watch?v=sk3SrRi_Mds


Eu li Os Filhos de Galagah no final do ano passado, impressionadíssimo com a qualidade do book trailer e também com todos os movimentos do autor para a divulgação. A história usa os seres já conhecidos pelos fã de ficção fantástica como elfos, vampiros e feiticeiros. A protagonista é a valente e pura Galatea Goldshine, que é escolhida como Guardiã após a decepção do irmão, Thomas, que acabou não sendo escolhido. Ela e um grupo formado por dois elfos (Gawyn e Sephiros) e uma feiticeira de intenções ambíguas (Iallanara) seguem em uma saga pela busca das runas que darão a Galatea a força necessária para enfrentar o mal. Durante a sua jornada, Galatea enfrenta inimigos de poderes infinitamente superiores aos seus e também conhece curiosos ambientes, como a cidade de cabeça para baixo (Lemurian) presentes no vasto de mundo de Grinmelken.

O livro é escrito com uma elegância extrema, que é mostrada na linguagem, nas descrições e nas falas dos personagens que têm objetivos firmes e definidos. A devoção e religiosidade, mesmo sem levantar a bandeira para nenhuma religião específica, são pontos também muito presentes na aventura. Os Filhos de Galagah é uma história de ação, aventura e dedicação, tanto do autor quanto dos seus personagens.



Bom, vamos à entrevista propiamente dita, deste que é o Senhor Radrak da internet.. (risos)

Luiz Ehlers - Leandro, os seus livros são trechos de uma grande saga épica. A exemplo de outras sagas, existe uma mensagem ou ideia principal que toda a sua literatura de Grinmelken queira passar?

Leandro Reis (LR) - Sim, existe, mas prefiro discuti-la somente depois de fechar a saga, o que acontecerá no livro Enelock. Além da idéia geral, existem várias mensagens espalhadas pelo texto, a maioria embutida em dilemas e atitudes dos protagonistas. Assim como nos meus contos, eu me preocupo em exaltar conceitos de virtudes mais escassas na sociedade de hoje, como honra, lealdade, coragem e bondade.


Luiz Ehlers – Você tem muito cuidado com o mundo que criou, Grinmelken é um lugar que vai bem além dos seus primeiros três livros (Filhos de Galagah, O Senhor das Sombras e Enelock). Criar um universo tão vasto normalmente esgota um escritor. Há espaços ou ambições suas de escritas fora de Grinmelken? Ou mesmo dentro de outro estilo, já pensou sobre isso?

(LR) - Já pensei em histórias fora de Grinmelken, ambientadas na época atual, mas todas com cunho fantástico. Porém, não tenho em mente dedicar-me a elas tão cedo. Meu mundo tem muito a ser explorado. São várias as possibilidades de histórias, como os leitores dos meus contos podem perceber. Tenho planos de escrever, mais para frente, livros com histórias do Vale dos Horrores, que seguem uma linha bem diferente dos meus romances atuais, tendendo mais para um suspense/terror. Quem leu os contos “A Dama Noturna” e “Esperança Corrompida”, tem uma boa noção desta diferença.


Luiz Ehlers – Algumas pessoas afirmam que não podemos fugir daquilo que somos em tudo que fazemos. Partindo deste pressuposto, os seus quatro protagonistas (Galatea, Iallanara, Gawyn e Sephiros) têm traços do Leandro Reis como pessoa ou são simplesmente criações?

(LR) - Sou bem parecido com o Gawyn e trago alguns traços da Galatea, como a ingenuidade dela para com as pessoas. Do Sephiros, me identifico com a sua parte mais reservada, desta timidez que se manifesta somente com desconhecidos. Já da Iallanara, acho que tenho um pouquinho do vigor com que ela debate e quer vencer.




Luiz Ehlers – Dentro do seu universo você utiliza seres clássicos da mitologia fantástica como elfos, vampiros, cavaleiros e bruxos. Mesmo que o enredo da história seja completamente diferente, sempre há comparações com clássicos do gênero como o Senhor dos Anéis. Existe este medo na hora da escrita, se existe ele atrapalha de alguma forma a criação?

(LR) - De modo algum. Não me preocupo em ser comparado com outros escritores quando escrevo. Deixei de me preocupar com muita coisa mais ou menos na mesma época em que pensei “vou usar uns clichês sim porque acho legal”. Existem inúmeras teorias sobre originalidade e várias delas chegam ao mesmo lugar: É muito difícil inovar completamente.

Hoje eu pesquiso bem mais do que quando comecei. Procuro a origem dos seres mitológicos e, se for do meu interesse, uso uma vertente diferente da lenda, algo menos conhecido.

Minha atual preocupação é a de manter ritmo e uma trama cativante, tentando melhorar cada vez mais a qualidade da minha narrativa e escrita.



Luiz Ehlers – Os Filhos de Galagah quebra muitas barreiras como a figura feminina de algumas histórias de fantasia. A personagem Galatea, por exemplo, é uma guerreira dedicada e corajosa que inclusive passa um desafio que o seu irmão, um homem, não conseguiu. O livro também quebra a barreira do sentimento, onde a mulher sempre tem que estar querendo se casar. Galatea ou mesmo Iallanara nem fazem menção a amor ou relacionamento. Não sei se a sua intenção era esta, mas pergunto o porquê de sua escolha por protagonistas femininas? Foi um acaso ou justamente queria inovar? Na sua opinião, faria alguma diferença se o Thomas tivesse virado guardião?

(LR) - A escolha se deu pura e simplesmente por eu ter baseado a Galatea em uma personagem criada por minha esposa. Mas hoje, eu não mudaria isto. Inclusive, quando terminar esta saga, escreverei um romance com mais uma heroína como protagonista. O legal é que ela é muito diferente das duas atuais.

De qualquer modo, não acho que esteja inovando. Apenas reflito um pouco de como nossa sociedade está. Cada vez mais vemos as mulheres invertendo os papéis conosco e batalhando profissionalmente de igual para igual. Em Grinmelken temos lugares onde as mulheres são menosprezadas. No meu segundo livro eu mostro bem isto. Mas em Galagah e boa parte dos reinos do Norte, as gerações não se lembram de atos que diminuíssem as mulheres de algum modo. Eles estão acima disto.

Quanto ao amor, os acontecimentos do primeiro livro realmente não deixa espaço para isto. Iallanara se abalou um pouquinho com o homem alado que a salvou no final do livro e Galatea, que sempre foi cercada de olhares afetuosos e cortejos ainda está com muita adrenalina deste “começo de carreira”. Mas no segundo livro, as coisas já mudam um pouco para a Campeã Dourada.

Quanto à última pergunta, sim, se Thomas pudesse passar no teste, faria muita diferença. Thomas é um rapaz bondoso, mas pouco religioso. Ele seria um excelente cavaleiro, mas não tem vocação para Campeão Sagrado. Esta deficiência dele foi o que fez de Galatea a devota fervorosa que ela é. Ser tão religiosa era sua maneira de chamar a atenção e com o tempo, isto se tornou seu norte. Se Thomas também fosse religioso, esta qualidade não teria sido tão desenvolvida nela. Item que é primordial para a história em vários níveis.





Luiz Ehlers – O processo de criação e a escrita são situações peculiares e não têm muita regra variando de autor para autor. O seu livro tem várias cenas de lutas e confrontos como ataque dos vampiros a família Goldshine ou os confrontos com Merkanos. Como é para você escrever cenas de batalha? Exige algum preparo? É o mais complicado em um livro de fantasia?

(LR) - O engraçado é que julgo as cenas de batalha as mais fáceis. Em geral saem de primeira e acabo mudando pouca coisa. Acredito que isto é fruto das aventuras de RPG que eu narrava, onde gostava de descrever o combate como se estivesse narrando um filme. A preparação é simples, sempre vejo o local e os personagens envolvidos, depois planejo basicamente como será o inicio do combate. Algo como Três entrarão pela porta da frente, três entraram pela porta de trás e os heróis estarão na mesa do canto.

Definido isto, eu boto no papel e vou escrevendo, agindo com os personagens conforme o combate desenrola. Complicado mesmo é fazer o romance. Sinto muita dificuldade de me colocar no lugar da Galatea ao descrever as cenas amorosas dela, no livro 2 e aqui, no livro 3.



Luiz Ehlers – Colocar rótulos é uma mania social. Muitas pessoas rotulam histórias de fantasia como infanto-juvenil, mesmo as que têm cenas mais fortes e um caráter mais adulto. Que tipo de público os seus livros visam atender? Está correta esta definição nas livrarias do seu livro na sessão infanto-juvenil?

(LR) - Na verdade, por uma escolha minha, junto da editora Idea, classificamos o livro como juvenil-adulto, pelo estilo da trama, este é o público que almejamos.

Nas livrarias, Filhos de Galagah é colocado em diversas categorias, pois não existe a seção “Fantasia”. A Sraiva/Siciliano nos coloca como Ficção Científica. A Cultura como Ficção Fantasiosa (A mais correta na minha opinião). Já o Submarino fica meio perdido e não coloca nada.



Luiz Ehlers – Você é uma pessoa completamente ligada aos meios digitais, tem blog, site, Orkut, twitter, etc. A internet é uma excelente maneira de promoção e tem ajuda constantemente ao crescimento da literatura fantástica. O que você acha que ainda falta no Brasil para que um dos nossos livros de ficção fiquem ao lado de Harry Potter e Crepúsculo na lista dos mais vendidos? Este dia chegará?

(LR) - É possível. Sempre cito André Vianco, cujos livros estão lado a lado com Crepúsculo (apesar de não ter nada a ver), nas livrarias, aeroportos e supermercados. Aos que tentam atingir tal resultado no Brasil, é questão de qualidade, sorte e afinidade com o público. Além de suar muito a caminha para se divulgar, tarefa que precisa ser feita junto da editora e em cada livraria. O André conseguiu este resultado bem rápido. Para os outros que perseverarem, a coisa pode vir mais lenta, mas pode vir. O importante é acreditar.


Luiz Ehlers - Uma sessão de jogo rápido:

Um livro que adoraria ter escrito... A Históra Sem Fim.

O que um livro de ficção não pode faltar... Magia, misteriosa ou cientifica.

Uma cena de batalha cinematográfica marcante... A cavalgada dos Rorririn, nas Minas Tirith

Um personagem da ficção fantástica marcante... Rolland, de “A Torre Negra”

Um grande vilão... Imperador Papatine (Star Wars)

Uma grande batalha final... Maximus vs Imperador Commodus (Gladiator)

Uma grande luta... Aquiles vs Hector


Galatea em uma palavra ... Devoção

Iallanara em uma palavra ... Inveja

Gawyn em uma palavra .... Otimismo

Sephirus em uma palavra... Lealdade

Sukamantus em uma palavra... Vingança

Enelock (Personagem) em uma palavra... Ódio

Thomas em uma palavra... Indeciso

Aloudos em uma palavra... Misterioso

Ethan em uma palavra... Solitário

Merkanos em uma palavra... Temido

Filhos de Galagah em uma palavra... Esperança

O Senhor das Sombras em uma palavra... Mudança

Enelock(Livro) em uma palavra... Verdade


Luiz Ehlers – O que podemos ou devemos esperar do “Senhor das Sombras” e do “Enelock”?

(LR) - Vocês podem esperar um clima bem mais Dark que o de Filhos de Galagah.

Gosto de fazer a seguinte comparação:

Em Filhos de Galagah, a Luz é ofuscante, tudo parece certo e pensasse que as ações em prol do bem serão sempre recompensadas. Ele é o início da jornada, onde o herói ainda está caindo na real do mundo que o cerca.

Em O Senhor das Sombras, a Escuridão é mais forte. A verdade é distorcida e as coisas saem um pouco dos trilhos, mesmo que os personagens não percebam de imediato. Este livro mostra o inicio da transformação dos personagens. A transformação mais visível é a de Galatea, que era a “santa” e começa a mostrar sinais da influencia de Iallanara.

Em Enelock, temos o resultado dos últimos dois livros. Temos as reações das ações anteriores e o desfecho de tudo. Este é o livro em que mais vou surpreender meus leitores, tenho certeza disto.



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sexta-feira, 12 de março de 2010

O que é amor? (Qu'est-ce c'est l'amour?)


Químico ou Físico? Ou será, talvez uma mistura dos dois?

Alguém é capaz de definir algo como o amor? Será mesmo que é preciso defini-lo? Amor simplesmente acontece, amor simplesmente existe. Quando ele está presente sabemos e quando não está também, mas afinal o que ele é?

Sabemos das sensações "tolas" como calor no corpo, suspiros espontâneo e um sorriso maroto que e ilumina o nosso rosto até que alguém repara e ficamos vermelhos.

Amor não é um substantivo concreto como uma mesa, um tijolo ou uma janela. Amor é um substantivo abstrato, ele apenas se manisfesta a toma a nossa mente e o nosso corpo. O amor nos rouba a racionalidade e nos torna primitivos. Voltamos às cavernas, mas com um sorriso no rosto que a "selva de pedras" não consegue nos dar. Amor é primitivo?

O amor dilacera a lógica, quando ele desperta é incontrolável e insaciável. Ele é quase como uma droga, ele quer ver, quer sentir, quer estar junto e quando isso não ocorre o mundo explode e como não temos mais a racionalidade fizemos loucuras, as loucuras de amor.

Junto com o amor vem outros sentimentos como egoísmo, ciúmes e sensação de posse. O amor é exigente, ele não divide. O amor não tem nada de "bom samaritano".O ser amado é especial e só meu e que ninguém ouse a tocar em minha propriedade.


O amor nasce em qualquer lugar e a qualquer momento. Ele é um rebelde incontrolável, sem limites total e na maioria das vezes inconveniente, pois normalmente entra sem ter convite.

O amor machuca, ele nos torna tão vulneráveis e fracos. Qualquer cena com uma musiquinha boba já é razão para emoção, qualquer declaração (mesmo mal representada) já é razão para um choro "soluçado".

Dizem que não há nada pior do que dor de amor, mesmo que estas mesmas pessoas também falam que amor não mata "já viu alguém morrer de amor?". Quando o amor dói é físico ou emotivo? Sentimos uma dor física, mas que nenhum médico consegue fazer parar e como dói...
É um aperto no peito, uma agústia inexplicável e até uma falta de ar. Tem pessoas que confudem com ataque cardíaco.


Ele é sério e cruel, ele: o amor. Bem que poderia existir um remédio, quem não gostaria de ter sempre guardadinha no armário uma cartela cheia. Sofreu é só tomar, se esse remédio existesse acho que arriscaríamos mais. Esta "dor de amor" é tão forte que muitos fogem mais dela do que do amor...

Amar é bom e ruim
Amar é doentio e saudável
Amar é normal e irracional
Amar é moderno e primitivo
Amar é químico e físico
Amar é sano e louco
Amar é recomendado e temido
Amar é mágico e normal

E alguma coisa nesse mundo pode ser tudo isso? Pode ter tantas perguntas? Pode ser tão imprevisível? A maioria das coisas nãos, mas o AMOR pode...ele pode tudo.....